sábado, 31 de dezembro de 2011

Na dança do tempo, o balanço dos meses...


Eu, aqui, versão dois mil e onze:

Janeiro - Criei um blog de imagens que chegou ao fim hoje (31/12/2011) e tive vontade de nada.
Fevereiro - Troquei desenhos pelo correio e procurei por minhas frugalidades.
Março - Registrei e dancei os encantamentos da saída do Afoxé na cidade de Goiás e sumi do blog por uns tempos.
Abril - Uma pedra nos rins me tirou de circulação. Perdi pessoas queridas.
Maio - Arrisquei para me encontrar em poéticas urbanas, afetivas e cotidianas.
Junho - Fiz festa para celebrar tatuagens invisíveis. Inaugurei amizades e cotidianos de pura poesia.
Julho - Conheci o México e fiquei embriagado com suas cores e situações de contrastes variados.
Agosto - Organizei minhas vontades em traçados de mudanças para o futuro do presente.
Setembro - Fui premiado no SPA das Artes no Recife em uma parceria que rendeu amizade de vida longa. Entre lembranças e desatinos conheci o Rio de Janeiro pela primeira vez.
Outubro - Escrevi minha milésima postagem, arrumei o blog e chamei gente amiga para celebrar.
Novembro - Caminhei pelas ruas de São Luís no Maranhão e fui aprovado na seleção do doutorado na UFG para pesquisar as memórias que tenho sobre meu avô.
Dezembro - Comecei a registrar meus dias dezessetes.

Imagem: Wolney Fernandes

Cinema 2011


No total foram 95 filmes na tela grande e outros tantos em casa. Seguindo a tradição iniciada no ano passado, segue um simples painel que mostra minhas predileções, decepções e deslumbramentos no cinema em 2011.

Os melhores filmes do ano:
1. A Árvore da Vida
2. Cópia Fiel
3. O Palhaço
4. Meia Noite em Paris
5. Namorados para Sempre

Os melhores filmes que ninguém viu:
1. Além da Estrada
2. Poesia
3. Hanami - Cerejeiras em Flor
4. Um Lugar Qualquer
5. O Mágico

Constrangimentos do ano:
1. A Pixar em sua primeira derrapada com "Carros 2"
2. Começo, meio e fim de "Amanhecer - parte 1"
3. A trama de Crepúsculo disfarçada de "A Garota da Capa Vermelha"
4. As reviravoltas de causar bocejos de "O Turista"
5. A trama ruim e o nada carismático "Lanterna Verde"

Cenas inesquecíveis:
1. A tragédia com imigrantes ilegais em "Biutiful".
2. A fuga de dentro da casa do vampiro em "A Hora do Espanto"
3. Dean (Ryan Gosling) procurando pela aliança de casamento, depois de tê-la jogado fora durante uma briga em "Namorados para Sempre".
4. Juliet Binoche encarando o marido na cena do café em "Cópia Fiel".
5. O suspiro da cena final de "A Pele que Habito"

Os cartazes mais incríveis do ano:
1. A Árvore da Vida
2. Eu Matei minha Mãe
3. Meia Noite em Paris
4. Além da Estrada
5. Hanami - Cerejeiras em Flor

Imagens de cair o queixo:
1. A dança final de "Hanami - Cerejeiras em Flor"
2. Tom Cruise escalando o edifício mais alto do mundo em "Missão Impossível 4"
3. Os deuses do Olimpo de "Imortais"
4. As cenas em slow-motion de "Melancolia"
5. Natalie Portman encarnando (e se transformando) em cisne no último ato de "Cisne Negro".

Personagens inesquecíveis:
1. O Lionel Logue de Geoffrey Rush em "O Discurso do Rei"
2. A Ree Dolly de Jennifer Lawrence em "Inverno da Alma"
3. O Magneto de Michael Fassbender em "X-Men: Primeira Classe"
4. O Salvador Dalí de Adrien Brody em "Meia Noite em Paris"
5. O palhaço sem identidade de "Selton Mello" em "O Palhaço"

Os filmes que me fizeram escrever:
01. Além da Estrada
02. A Árvore da Vida
03. Meia-Noite em Paris
04. O Vencedor
05. Namorados para Sempre

Foto: Wolney Fernandes

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Casamentos na Calçada


Enquanto os noivos assinam a papelada junto com as testemunhas dentro do cartório, os convidados se ajeitam na calçada e misturam risos com o barulho do trânsito na avenida.

Saltos, lisuras, sedas e gravatas sinalizam que a ocasião é solene e a celebração se dá em meio ao passa-passa de transeuntes. Feito convidado penetra, atravesso o meio da festa com aquela vontade de ficar mais um pouquinho, de perguntar das histórias, de cumprimentar os noivos depois da cerimônia...

Contaminado por felicidade alheia, meu sorriso brota sem dificuldade porque todo sábado tem casamento na calçada da Avenida Tocantins.

Foto: Wolney Fernandes

domingo, 18 de dezembro de 2011

Vontade de Dançar

Tenho um monte de razões para adorar esse clipe. A vontade que tenho de sair dançando pela rua é a principal delas. E isso, por si só, já é muita coisa.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Dezessete de Dezembro de 2011 - Sábado


Viver pode ser complicado porque é preciso se livrar de muita coisa pra se começar. Todo sábado eu ensaio a vida que vou inaugurar na segunda começando sempre pela arrumação no meu quarto. Porém, hoje troquei a arrumação matutina pelo rito de caminhar pelo Centro ouvindo música. 

Na saída, recebi encomenda para passar no supermercado e acabei não resistindo ao cheiro e ao roxo das uvas de caixinha. Chupei uma às escondidas e decidi que aquele seria o sabor da minha arrumação de mais tarde.

Joguei montes de papéis acumulados e guardei outro tanto que fui encontrando pelo quarto. Terminei de ler "Um Dia" com aquela sensação de que a vida acontece na urgência do presente. Deixei a arrumação pela metade depois de olhar pela janela e perceber uma vontade de voar por um céu cor de rosa e frio. O céu de todo dia deveria ser rosado, nublado ou ensolarado, mas ainda rosado. Só para trazer frio pra ser sentido na pele e causar o aquecimento interno de cada um. Enquanto caminhava, a ideia de registrar todos os meus dias dezessetes se desenhou na minha cabeça.

Na saída do cinema, fiquei sabendo que o mundo já não tem mais Cezaria Evora, Joãozinho Trinta e Sérgio Brito. Coloquei "Sodade" pra tocar no iPod enquanto caminhava pra casa. Sábado cheio de perdas... Sábado cheio de achados: um bilhete encontrado na arrumação sussurra baixinho [e incessantemente] o que eu tento, por vezes, não escutar: "O amor é inevitável!". 

De noite, saí para ver as luzes do Natal espalhadas por Goiânia e foi divertido como se estivesse em uma brincadeira. Porque o ideal é brincar. Brincar com a idéia de si mesmo.

Suspiro...

Foto: Wolney Fernandes

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Sob laranjeiras


Tínhamos andado muito. Cansados, sentamos debaixo do pé de laranja e ficamos por uma hora. Pareceu naquele momento que dava sim para ser feliz.

Foto: Wolney Fernandes

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Antes de terminar


Chorei no escuro do cinema e em casa também. Posso dizer que me diverti, que inventei depressões para me obrigar a me divertir ainda mais. Que ouvi boa música e li bons livros [poucos] e perdi tempo com notas já usadas, programas aborrecidos e frases feitas.

Dei beijos mornos e doces debaixo de chuva gelada e beijos que são enganos feitos de sono, de embriaguez e alguma estupidez. Esqueci finalmente quem me ocupava partes de mim mesmo sem razão, partes de Peter Pan e pedaços amargos de limão gelado que em dias de sol sabe bem.

Vi o sol se pôr fora de Goiânia enquanto falava do nada e de todas as coisas que vagueiam em mim. Passeei pelas ruas do Centro deixando que a luz amarelada cubrisse de cor os caminhos pelos quais me perco. Fotografei jardins estrelados em tardes quentes e abafadas de um tempo que não volta a ser o mesmo.

Procurei memórias para descansar. Desiludi-me uma vez apenas e acreditei vezes sem conta. Por vezes é fácil, às vezes difícil, mas nunca impossível. Clichê, eu sei, mas vou grifar isso para usar como meu lema em 2012.

Foto: Wolney Fernandes

domingo, 4 de dezembro de 2011

Arco-Íris Portátil
A Todo Instante por Gláucio Henrique Chaves


Gláucio Henrique Chaves é filho dedicado às belezas que só a mãe natureza sabe oferecer. Vive prestando atenção em paisagens e marcas do tempo lá para os lados das Minas Gerais. Para saber mais: EFGoyaz
O Semeador
A Todo Instante por Marcos Vinícius Ramos

Saiu o semeador a semear...
Dentre uma variedade de sementes
visíveis e invisíveis por aí, qual semear?
Minhas mãos, acostumadas, pedem trigo ou algodão.

Trigo para os moinhos-dragões,
na luta por um existência diária;
mais um poente, outro nascente,
à espera de fartura, de pão.

Algodão para os teares da história,
com repassos e tramas tão sutis.
Fio a fio se faz uma vida,
sem paixão e com alma ferida.

Uma parte da semente caiu na beira da estrada...
Não mais as mesmas sementes.
Pois os pássaros ficaram famintos;
e os espinhos não sufocam ninguém.
Meu coração anseia por uma nova semente,
como teus olhos por uma nova imagem.

Semente nova,
imagem nova,
e uma história humana de sempre,
sem panos e sem pão.

Marcos Vinícius Ramos é poeta de natureza. Para mergulhos em versos de pura beleza, clique aqui.